"O TEL�FORO"
O 'Di�rio Hespanhol', depois de v�rias considera��es sobre o tel�grafo sem fio e de citar diversas experi�ncias com feliz resultado, diz o seguinte em artigo sob o t�tulo supra:
'Enquanto essas colossais conquistas t�m lugar no velho mundo, vejamos as que na mesma ordem de progressos alcan�am os preclaros talentos americanos, filhos deste fecund�ssimo Brasil.
O Rev. Padre R. Landell tem a mesma linha m�xima de partida que os inventores europeus, mas difere quanto aos aparelhos de emiss�o e recep��o e outros agentes que entram por muito na facilidade de constru��o e funcionamento dos seus diferentes mecanismos.
O Padre Landell j� conseguiu transmitir a palavra a uma dist�ncia maior de sete mil metros, servindo-se do �ter, das correntes tel�ricas e do ar eletrizado; o aparelho transmissor, por�m, colocado no ponto de partida, como o receptor no ponto de chegada, s�o, repetimos, inteiramente distintos dos das inven��es europ�ias, e mais, n�o emprega tubos de cristal, nem limaduras met�licas de esp�cie alguma em seu maravilhoso trabalho.
Os mecanismos de que usa recolhem a voz e a lan�am atrav�s do espa�o em uma dire��o determinada, seguindo invariavelmente o caminho mais curto que medeia entre o transmissor e o receptor, isto �, uma linha inteiramente reta, seja qual for o estado atmosf�rico no instante em que se verifica a transmiss�o.
Nas diversas experi�ncias executadas recentemente notou o inteligente inventor, que a zona que � merc� das vibra��es do �ter percorre o som articulado, se vai alargando � medida que se aproxima do receptor, de modo que, colocando-se v�rios desses receptores dentro do mesmo campo de recep��o, alguns metros separados uns dos outros, todos eles recebem ao mesmo tempo com a mesma clareza a palavra transmitida. Deste resultado, que se saiba, n�o o obteve s�bio algum, nem no velho nem no novo mundo, cabe ao padre Landell toda a gl�ria da inven��o.
Para tal alcan�ar n�o se pense que o infatig�vel homem de ci�ncia foi de um salto, h� muitos anos que faz experi�ncias e estuda metodicamente, entregando-se inteiramente � consecu��o do triunfo que acaba de conseguir, sujeito por certo �s leis da mais esquisita precis�o, das quais fez nascer o seu pequeno aparelho transmissor e o seu pequen�ssimo receptor.
Como trabalho, um e outro s�o not�veis, como se compreender� do seguinte:
Colocado o aparelho transmissor em um compartimento qualquer junto a uma janela aberta, em frente da qual e a seis ou sete mil metros de dist�ncia esteja colocado ao ar livre o receptor, poder�o falar duas pessoas como se estivessem a um metro de dist�ncia uma da outra.
Como se explica essa surpreendente opera��o?
Eis o que diz o inventor:
'O aparelho transmissor recolhe a palavra pronunciada com toda a naturalidade. Em virtude da especialidade de sua constru��o, imprime-lhe a for�a suficiente para que o fluido et�rico, que constantemente invade o dito aparelho e que est� unido por invis�vel e el�stica cadeia com o receptor posto a seis ou sete mil milhas de dist�ncia, de vibra��o em vibra��o, aumentando estas de poder e de rapidez � propor��o que a palavra ou o som se afastam o ponto de partida, transp�e-se a referida dist�ncia com a ligeireza do pensamento, isto �, o �ter serve no caso presente da mesma forma que antes servia o fio de metal, como condutor da linguagem telegr�fica, com esta diferen�a, o fio met�lico aprisiona a eletricidade dentro de uma zona limitada a seu pr�prio di�metro na trajet�ria que percorre, entretanto que a onda sonora ou a palavra transmitida, servindo-lhes de ve�culo condutor o �ter, as corrente tel�ricas e o ar eletrizado, ao passar do transmissor ao receptor, estabelece em redor da reta invis�vel, em que se ap�ia um campo largo em ativa vibra��o, cujas dimens�es aumentam, como antes dissemos, � medida que se vai aproximando do plano de recep��o.'"
