PADRE LANDELL DE MOURA E O ANEDOTÁRIO ASTRONÔMICO

(Ronaldo Rogério de Freitas Hourdo, Astrônomo do Observatório Nacional

Quando se fala de comunicação interestelar é comum referência a cientistas estrangeiros que, como homens de sabedoria notável, previram tais acontecimentos. Esquecemos de um grande inventor porto-alegrense, Padre Landell de Moura (1861-1928), que antes das experiências do italiano Marconi (1874-1937), em Pontechio, perto de Bolonha, em 1895, já efetuava com sucesso experiências de transmissão e recepção sem fio, da voz, a uma distância de cerca de oito quilômetros. Algumas dessas experiências ocorreram da Avenida Paulista ao alto de Santana, na Capital paulista, entre as anos de 1893 e 1894.

No inicio do século, após obter patentes dos seus inventos nos EUA, voltou "Landell de Moura ao Brasil, quando o Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, consagrou em entrevistas suas invenções e descobertas.

Graças a intervenção do Almirante José Carlos de Carvalho, que havia assistido As experiências de Landell de Moura nos Estados Unidos, o então Presidente da República no período de 1902-1906, Rodrigues Alves (1848-1919) o recebe em audiência. No encontro, Landell de Moura solicitou dois navios da nossa Armada com a objetivo de demonstrar o alcance de seus inventos. Interessado em servir ao cientista. Rodrigues Alves determinou mais tarde que um de seus oficiais de gabinete se ocupasse do assunto e procurasse saber a que distância desejava a padre que estivessem os dois navios.

Ao solicitar a informação, o oficial recebeu a seguinte resposta de Landell:

"A distancia máxima possível. As que quiserem ou puderem. Os meus aparelhos podem estabelecer comunicação com quaisquer pontos do planeta os mais afastados que estejam uns dos outros. Isto atualmente, porque no futuro servirão até mesmo

para comunicações interplanetárias."

0 oficial de gabinete olhou-o de alto a baixo dizendo que iria transmitir a informação ao Presidente. Chegando ao Palácio, a assessor presidencial confidenciou:

" Excelência, o tal padre é totalmente maluco. Imagine que ele chegou até a falar-me em conversar com habitantes de outros planetas."

No dia seguinte uma carta muito amável da Secretaria da Presidência da República, informava que no momento era impossível atender o pedido, devendo o padre no entanto aguardar unia ocasião oportuna.

Hoje, quando se fala de comunicação interplanetária e mesmo interestelar, o nome mundialmente citado é o de Marconi que além de ter tido a sua disposição, em 1902, cedida pelo Governo italiano, a belonave Carlos Alberto, obteve, mais tarde, o auxílio esquadra. italiana com o objetivo de testar o alcance de seu invento.