O PADRE Landell de Moura - Os Equívocos da História

Dinah Silveira de Queiroz

(De Lisboa) Nosso bom amigo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão levantou seu dedo, de certo já luminoso de tanto apontar estrelas, para tentar fazer justiça a um brasileiro de Porto Alegre, Padre Roberto Landell de Moura.

Antes das experiências de Marconi, realizadas perto de Bolonha, em 1895, o padre já fazia espantosas experiências de transmissão e recepção, sem fio, da voz a uma distância de cerca de oito quilômetros.

E onde se faziam essas experiências ? Na Av. Paulista ao alto de Santana, em São Paulo, nos anos de 1893 e 1894.

Ele havia patenteado a invenção nos Estados Unidos no começo deste século. Logo depois voltava ao Brasil e o nosso velho e bem-amado "Jornal do Commércio" dava-lhe oportunidade para descrever as suas invenções na transmissão do rádio.

Mas houve um triste equívoco até certo ponto compreensível quando o sacerdote procurou o Presidente Rodrigues Alves. Um dos Oficiais de Gabinete do Presidente perguntou ao Padre Landell qual seria a distância desejada por ele para que dois navios trocassem suas mensagens e a resposta parecia mesmo a de um louco: - "A distância máxima possível. As que quiserem ou puderem. Os meus aparelhos podem estabelecer comunicação com quaisquer pontos do planeta, os mais afastados que estejam uns dos outros. Isto atualmente, porque no futuro servirão até mesmo para comunicações interplanetárias".

Eis a impressão que teve o Oficial de Gabinete do Presidente Rodrigues Alves: - Excelência, o tal padre é totalmente maluco. Imagine que ele chegou até a falar-me em conversar com habitantes de outros planetas".

Nosso astrônomo do Observatório Nacional diz, com razão, que hoje, quando se fala em comunicação interplanetária e mesmo interestelar, o nome mundialmente citado é o de Marconi. Nem mesmo no Brasil o nome do Padre Landell de Moura é reconhecido como inventor da radiotransmissão.

Mas, em Portugal existe uma Fundação Educacional com o nome de Padre Landell de Moura. O Engenheiro Arnaldo do Nascimento, dessa Fundação, escreveu sobre o nosso sacerdote.

Houve um momento grandioso em que o nome do ilustríssimo sacerdote bem se expandiu pelo mundo. Foi nesse mesmo ano de 1982 que a "Fundação Padre Landell de Moura", pela orientação de Arnaldo Nascimento, que é radioamador, de Belmonte, fez a irradiação das solenidades de mais um aniversário - quatrocentos e oitenta e dois anos - da primeira missa no Brasil, mandada aos ares para as comunidades portuguesas do mundo.

Era maravilhoso pensar que esse Engenheiro do Porto, na noite em que se deu a festa comemorativa, em Belmonte, a própria vila de Pedro Alvares Cabral, mandou a tantos lugares a comunicação dos acontecimentos ocorridos no sítio onde, velhinha mas ainda de pé, está a casa de Pedro Álvares Cabral.

(Extraído do Jornal Correio do Povo, de Porto Alegre-RS, ano de 1982)